nunca me vi em cor refaço-me em fragmentos pedaços de vidro corto-me constantemente recorto-me sugiro um perdão eterno uma vasta legião de lágrimas é assim que fico quando ainda penso...
aprendi a ouvir e adorar radio ao som do António Sérgio. lembro-me quer no carro, ou em minha casa, estar sozinho na imensidão do escuro da noite e deixar-me levar pelo uivo do lobo. ele era a voz, era a pesquisa dos sons alternativos, ou era apenas aquele sentimento que a noite provoca nos sonhadores. fico triste por um dos meus heróis da adolescência ter desertado deste mundo. mas também sei que quando os sonhos apertam e a radio é minha companheira o lobo vai uivar. e aí sim saberei, que o lobo é um sorriso em forma de lágrima.
voz rouca que procura o momento rádio em onda viva alternativa de tão viva
as noites escolhem os amantes para seus perdidos. afugentam os corações que roubados em ódio apadrinham o luar. a vida é um Carnaval, ou uma escolha que é sempre a mesma. é uma lágrima de olhar imperfeito... já eu sou aquilo que não vejo. sou o grito que numa rua se encolhe perante o ladrar de cães esfomeados pelo meu sangue....
como te percebo como te sinto palavras feitas sentimentos desfeitos um louco olha olha e olha sentes! o perfume que é decidir que é cantar ou dizer-te que foste o meu Carnaval...